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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Science4you Procura 300 Novos Colaboradores

A Science4you espera recrutar 300 colaboradores até Dezembro, terminando o ano com mais de 660 funcionários - entre os escritórios de Lisboa, Porto, Madrid e Londres e, ainda, a fábrica de Loures. A contratação de novos profissionais visa reforçar a equipa da marca portuguesa de brinquedos educativos durante o Natal.

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O Estranho

Deambulava estoicamente numa pedreira escondida, ocasionalmente olhando em redor, qual ser estranho deslocado numa outra vida, num mundo criado de novo, num mundo desconhecido. O tempo abraçava a esfera pendente, que se elevava sobranceira à sua cândida face rosada, de cor neutra irregular, banhada a ouro falso e diamantes obscuros. Ninguém o conhecia. Nunca se deixou conhecer. Virtuosa capacidade essa, a da ilusão presente que nos prende num passado funesto e num futuro ainda inexistente. Colmatadas as virtuosidades colaterais, o estranho apresenta-se numa vénia aceitável e comovente. Continua a ser um desconhecido. A sua aparência transmite ficção e desamparo. Um terreno inacabado, por cultivar. As gentes com quem se cruzou e cruza desviam o olhar. A pedreira transformou-se há muito num pousio extenso, numa casa feita lar desfeito ou imperfeito, que se construiu num improviso da alma. A consolação chegará, um dia, sob a forma de uma invasão alada e pacificadora dos outros sentidos firmes. A esfera permanece junto a si. Protege-o numa cápsula invisível que o fascina, desde sempre. Um estranho entre estranhos. Um estranho entre amigos. Um estranho entre coisas familiares. Ou, pelo menos, com o passar dos minutos, das horas, dos dias, das semanas, dos meses, tornaram-se mais familiares. Uma aceitação convencionada, numa noite imprópria de abandono da consciência real e menos ambígua. Conhece a felicidade, como se conhece a si. O outro eu da figura estranha desprende-se de si próprio. Ao alcance de um braço, a porta. A possibilidade do encerramento de um capítulo escuso e menos explicado. Agora, o estranho quer ser conhecido. Quer ter um nome, uma boa aparência, um sonho, uma vida, uma história. Na realidade, o estranho continua estranho, a porta não abriu, mas a sua história deixou de ser estranha e, quem sabe, um dia, o estranho deixará de ser tão estranho.

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