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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

Os Ofendimentos das Camélias

As camélias floriam no pequeno jardim do lago interior. As cores perderam o rasto branco da candura e a volúpia das brisas envolventes emergia despudoradamente numa dança decadente e fútil, ainda que materializada nas sensações ambíguas das observações tácteis sensoriais. As camélias, meninas primorosas e inocentes, fechavam-se em si mesmas. A sua dança era uma miragem fulgurante e só se arrastava, num rodopio esvoaçante, se se olhasse enviesadamente, para além do desconcerto intervalar do momento escondido. Ofensas de quem sabe, diriam que as camélias esgotaram a beleza da sua inocência, perdendo-se de amores pelos trinados melodiosos da cotovia e pelo piar monótono do mocho sábio que habitava a árvore mais frondosa do pequeno jardim do lago interior. Os ofendimentos das camélias tinham saltado uma geração, mas, infelizmente, perpetuaram-se nas seguintes. Aquela geração única, iluminada, tinha tido uma visão oracliana. A sua sabedoria intensificara-se e os conhecimentos do mundo floral concentraram-se, inesperadamente, num núcleo restrito de génese genética. A seiva, o tronco, as folhas singelas, a flor delicada, resguardavam o cumulado inspiracional de centuriões hirtos que protegiam as caducidades paradoxais da história interminável. Mas, a história daquela geração única de camélias, morreu. Matou-a o tempo e necessidade que há, na natureza, de lançar caos para tudo tornar, atempadamente e sem estragos consideráveis, à rotina, à normalização, à habituação previsível e expectável. Assim, foi um sereno instante glorioso de vã estrelato e, na geração imediatamente posterior, cuidou-se para que as coisas restabelecessem a sua ordem natural. Os ofendimentos das camélias prevalecem e, ainda hoje, se sentem os seus efeitos misteriosos no perfume do manto branco, sedutor, mas frágil, das pétalas sedosas caindo do céu inesperada e misticamente.  

Museu Etnográfico da Madeira

O Museu tem como vocação a investigação documentação, conservação e divulgação dos testemunhos da cultura tradicional madeirense. O acervo do Museu integra coleções que abrangem variados aspetos sociais, económicos e culturais do arquipélago da Madeira, sendo a etnografia a sua área de vocação.
A área de exposição permanente encontra-se organizada por temas: atividades produtivas (pesca, ciclos produtivos do vinho, dos cereais e do linho), transportes, unidades domésticas (cozinha e quarto de dormir) e comércio tradicional (mercearia).

visit cultura.madeira-edu.pt

Luís Sepúlveda

Luís Sepúlveda nasceu em Ovalle, a 4 de Outubro de 1949, e é um romancista, realizador, roteirista, jornalista e ativista político chileno. Reside atualmente em Gijón, Espanha, depois de ter passado por Hamburgo e Paris.

Em 1970, vence o “Prémio Casa das Américas” com o seu primeiro livro "Crónicas de Pedro Nadie" e ganha uma bolsa de estudo de cinco anos na Universidade Lomonosov de Moscovo.

De regresso ao Chile é expulso da Juventude Comunista, adere ao Partido Socialista Chileno e torna-se membro da guarda pessoal do presidente Salvador Allende. 

Membro ativo da Unidade Popular chilena nos anos 70, teve de abandonar o país após o golpe militar de Augusto Pinochet.

Viajou e trabalhou no Brasil, Uruguai, Paraguai e Peru. Viveu no Equador entre os índios Shuar, participando numa missão de estudo da UNESCO. Sepúlveda era, na altura, amigo de Chico Mendes, herói da defesa da Amazónia. Dedicou a Chico Mendes "O Velho que Lia Romances de Amor", o seu maior sucesso.

Perspicaz narrador de viagens e aventureiro nos confins do mundo, Sepúlveda concilia com sucesso o gosto pela descrição de lugares sugestivos e paisagens irreais com o desejo de contar histórias sobre o homem, através da sua experiência, dos seus sonhos, das suas esperanças.

wikipedia e portal da literatura (adaptado)

 

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