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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

O Tempo Lá Fora

Chove copiosamente. O céu parece querer desabar sobre a urbe campestre, lá por baixo. Os ribeiros enchem, a vida transborda momentaneamente, os rios alargam os mares e os mares, oceanos longínquos. O efeito borboleta bate nas asas da imaginação e é abraçado pelo vendaval da tempestade tornada rodopio de folhas e árvores portentosas tombadas, no esventramento infértil do tronco de seiva feito. O tempo lá fora, passa. Passa rápido, como a película obscura de um filme mudo. Está escuro. Está escuro lá dentro. O cinema fechado viaja para cenários exóticos e solarengos. Se pudéssemos trazer um bocadinho daquele guião para a mobilidade desregrada desta ventania desmesurada, poderíamos quebrar e assustar o passadiço estreito que medeia e limita o salão de baile desta urbe campestre. Flores misturam-se numa dança efusiva e estonteante. O seu perfume exala naftalina perdida na janela temporal do portal irreal escondido no camarim da estrela do filme obscuro mudo. Continua a chover copiosamente e quero ver o sol. Olhei o céu que parece continuar a querer desabafar e no lusco-fusco da solidão vislumbrei que o Tempo Lá Fora, afinal, estava Lá Dentro e corria. Corria para o infinito.

Salarium Minimum

Continuam, algures neste continente europeu por unir, insistentemente, a menosprezar o trabalho de produção portuguesa. As regras europeias funcionam q.b., mas, normalmente, só num sentido. Este sentido tem subjacentes interesses financeiros muito concretos e que são por demais sobejamente reconhecidos do pobre público que sofre de iliteracia financeiro-económico-bancária, porque, apesar, do cash investido inteligentíssimamente por “lobos de Wall Street” ou da City ou brokers asiáticos ou offshoreados tuguenses, cheios de boas intenções e inocentes ignorantes nesta temática, ser do pobre público, o retorno real efectivo é nulo ou negativo e, na grande maioria das vezes, caótico; na realidade, a bem ver, a Risk Management comporta isso mesmo, Risco, e ele é relativamente grande e predominantemente existente, mas invisível e pouco transparente aos olhos dos leigos believers. Assim, e apesar dos esforços constantes quer dos nossos Image Managers outside, quer de todas as dinâmicas (im)produtivas de Public Relations e Vistos Gold, o trabalho de produção portuguesa continua ingloriosamente com posicionamento defeituoso e contextualização duvidosa, daí que, obviamente, a sua remuneração seja bastante deficitária, controlada e comedida, até porque alguém precisa de mão-de-obra barata para que a hierarquização laboral europeia premeie o tal sentido único de progressão que se quer cristalizada no espaço único temporal circundado dentro de certas e determinadas fronteiras que existem, mas não são objectivamente observáveis. Pois, então, culpe-se a falta de produtividade, eficiência e eficácia da produção portuguesa. É certo que no meio deste mercado laboral complexamente simplista existe quem sobreviva e vingue, espante-se, no entanto, os Case Studies são remissivamente geridos por forma a que a mediatização da informação alcance nichos comprometidos em calibrar os factores de sucesso que determinam a integração num grupo restritivo de intervenientes aprovados. Depois, há a questão de que nem todos podem ter poder, porque o poder descontrolado é perigoso e ameaçador. Convém, por isso, criar restrições factuais para que tenhamos em países que se querem todos iguais, salários tão diferentes e diferenciados.

As questões que se colocam são: será a Europa, algum dia, verdadeiramente igual e igualitária em género e social, cultural, ambiental, económica e financeiramente? E teremos Salarium Minimum que se adeque europeísta e nacionalmente?

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