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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

O Lado Obscuro do Amar - Histórias de 1 Amor Surreal - "Sonhar" (Parte II)

A vida matou-os? Terão morte e vida se apoderado daqueles seres perdidos ou encontram-se apenas presos num sonhar acordado que parece ser bombasticamente defaultado? Quedaram-se então no precipício antagónico das cadeias montanhosas que orbitaram as suas auras doces e imaculadas. Tocaram-se de novo e o toque cresceu. Beberam um do outro sofregamente. Não sabiam o que faziam. O papel que representavam lembrava a teatralização do fio da vida cortado no último instante. Os fios soltos não causam dor, nem sentimento. Os seres olharam-se então. Fios cortados ou não, encarnavam o homem e a mulher que todos gostariam de ser. Por isso, estavam perdidos. A papal benção não vaticinaria grande acontecimento. O suplício do santo sepulcro castra a candura. Homem e mulher querem sonhar. Acordar de outro tempo, daquela casa rosa plantada na crista do monte, no morro da saudade e na viela da abstração. Sonhar. Dois seres perdidos querem sonhar. Sonhar com a vida. Sonhar com a morte. Sonhar com os sonhos, mas sonhar. Tocaram-se de novo e sentiram, por fim. Aquele breve momento perpetuou-se nas suas almas esquecidas de corpos para todo o sempre.

O Lado Obscuro do Amar - Histórias de 1 Amor Surreal - "Sonhar" (Parte I)

Dois seres perdidos numa amálgama de sensações e estares amorosos surreais. Libertaram a libido e escorraçaram a razão. Sentiram-se vivos, outra vez. Sonharam com rinocerontes brancos que caíam do céu e tigres de Bengala trespassados pela seta do Cupido e pandas chineses voadores magros. Seguiram aquele desejo embriagado de brandy oculto na panóplia de cândidas mãos sombrias que desmaiam num coma profundo pelo trilho amazónico da urbe suburbial. Os seres não se conhecem. Encontram-se num acaso de destino traçado ou por traçar. Brincam com a vida e tocam-se. A transparência do toque revela uma fantasmagórica sensibilidade que reverte em fluído plasmal deslocado da realidade contextual em que flutuam. Abre-se uma porta. Fecha-se uma janela. Declamam-se sonetos. Canta-se o fado. Esconde-se a alma. Sempre. E os dois seres vagueiam. Perdidos. O toque não foi suficiente para os trazer de volta ao plano terreno. Iluminam-se e luminosos encandeiam o lago adormecido. O verde turquesa esquecido pelos aquarianos ancestrais parece renascer e potenciar o desabrochar de nenúfares simples e delicados que deixam antever a pacificação do templo adormecido no lago adormecido. Apagam a sua força interior com um sopro subtil de lavanda disfarçado de cheiro de orquídea selvagem. A morte ressuscitou-os?

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