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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Senhora da Charneca

Há anos que a vejo deambular,

Estradas da vida sem aparente destino,

Fado abandonado por alguém,

Um sobe e desce diário por quem?

 

Roupagem desalinhada,

Cabelo cinza sem pintura,

Disfarce subtil de riqueza interior,

Pobreza larga, mas talvez, quem sabe, algum amor.

 

Quem é, não o sei,

Alguém será para alguém talvez,

Caminha sempre sorridente,

Não pára expectante, saco na mão de cada vez.

 

Existe grandeza na sua baixa estatura,

Caminha direita com postura,

Gosta de compridas saias e largura,

Arranja-se mais por esta altura.

 

Viva alma na Charneca,

Sem companhia aparente,

Solitário corpo, solitário coração,

Família ausente ou afastamento na decisão?

 

Não sei a sua história,

Se calhar, rica de experiência,

Segredos e surpresas,

Feitos mil e profética benevolência.

 

Estranho ser misterioso,

Deveras curiosa excêntrica criatura,

Resiliente e lutadora,

Não desiste da batalha, enfrenta a vida e a sua agrura.

 

Continuará simbólica,

Discreta, mas presente,

Visão habitual e rotineira,

Caminhando na Charneca, para todo o sempre.

 

Eutanásia, Racismo e Outros Pensamentos

Não são de abordagem fácil e linear. Nem tão pouco pretendo estar com pretensiosismos surreais. Remeto-me simplesmente à minha insignificância de humilde observador pseudo-pensador. Recorrentes temáticas sensíveis envolvendo vários actores, mais ou menos mediáticos e/ou mundanos e/ou (im)populares, e apesar de cada vez mais mediatizadas e discutidas, são sempre matéria de difícil e condicionada humilde dissertação. Primeiro, e em relação à eutanásia, é fundamental que se compreenda que a decisão face à mesma é sempre tomada pelo próprio, em plena consciência, e enquanto detentor das suas plenas, totais e inequívocas faculdades. Assim, o que está em causa não é “o matar alguém”, mas simplesmente alguém que quer ter o direito a uma morte condigna, assistida portanto, respeitando uma série de protocolos devidamente reconhecidos, decidindo pois o próprio em plena consciência de decisão sobre a sua morte, ou seja, sobre o quando e como quer morrer, face a um determinado e muito específico quadro clínico de saúde irreversível. Parece, por isso, haver algum sentido lógico razoavelmente admissível na sua despenalização. Se coloca questões éticas e morais? Claro! Por isso, é tão importante a sua discussão. Referendar? Sim! Um referendo devidamente esclarecido/informado, para que todos saibam o que estão verdadeiramente a referendar. Racismo, é algo que parece infelizmente intrínseco à cultura social das civilizações e que existiu, existe e, pelos vistos, continuará a existir pelo simples facto de sermos um mix humano bastante complexo, entrelaçado de muitas e diferentes raças. É tendencial associarmo-nos e identificarmo-nos com um determinado grupo. E quando não conhecemos de todo outro(s) grupo(s), temos medo do desconhecido. Estes sentimentos de pertença e de medo são naturais nos seres humanos. Claro que o refinamento do extremismo racial apurou-se, e temos tido ao longo da história da humanidade casos de verdadeiro descontrolo humano face ao próximo, simplesmente por este próximo ser de uma raça/etnia/religião e afins diferente. Esta irracionalidade levada ao extremo enfatiza comportamentos desviantes e repreensíveis, no entanto, foram uma realidade, são uma realidade e dificilmente serão neutralizados ou apaziguados num futuro próximo, porque as dinâmicas sociais e humanas são ainda de delicado e sensível entendimento e os comportamentos de grupos homogéneos, unidos e consolidados, são tendencialmente menos condicionáveis e/ou modificáveis. Aqui, o todo condiciona o individual, independentemente dos princípios e valores defendidos pelo indivíduo. A grande linha de pensamento que quero reforçar é a que consagra o total e completo desconhecimento do eu tribal humano e do próprio eu humano. A emoção é fundamental, é o que dá vida aos sentimentos e ao sentir, no entanto, mascarada com a impulsividade e a exuberância da irracionalidade extremada, resvala facilmente para estereótipos infelizes, voláteis e manipuláveis. Como em tudo na vida, encontrar um equilíbrio win-win para todos os intervenientes é a realidade sonhada. Se algum dia será alcançável, é uma outra questão...

A Virtual Realidade da Vida Que Vivemos

Os escritos definharam porque a realidade está em evaporação letal. O rodopio de asneiras acumuladas nos últimos tempos pela humanidade imatura e infantil, deixam antever, pouco efusivamente, uma melhoria de qualquer um dos estados condicionantes da vida humana, neste momento, e muito sinceramente, em momentos futuros. Uma pandemia generalizada (mais uma!), mas ainda não oficializada, um Brexit compulsivo e arrepiante (cujas consequências operacionais e reais ainda estão por descortinar verdadeiramente), um desimpeachment virtuoso, malfadado e supremamente controlado (com uma futura candidatura presidencial já em vista), greves incontáveis, orçamentos tirados a ferros (esperemos pelas votações na especialidade), quarentenas impostas, cidades fechadas (outras estranhamente descansadas), cidades fantasma, números controlados, numa mediatização ainda q.b., desarranjos europeus (novos e menos novos) e mais um sem fim de malfadadas odes à desgraçada espécie que continua e teima em conjurar contra si própria. E é isto que realmente mais fascina, neste turbilhão de acontecimentos controlados (esperamos nós!), apenas, por alguns (aceitamos nós!). O verdadeiro conhecimento das causas ultrapassa o true knowledge comum dos mortais. O discurso eternamente pessimista é repetitivo, claramente o sabemos, mas a variação na quotidiana manifestação de vontades, comportamentos, atitudes, decisões e acções humanas é já tão estanque e despropositada, sem alterações significativas portanto, que até o mais optimista destes comuns mortais se entrega à letargia e à apatia compulsivas do dolce fare niente relativamente ao que quer que seja e/ou aconteça. Vivemos a virtual realidade de uma vida não tão virtual, e virtuosa, assim. De facto, até queremos que a vida seja cada vez mais virtual, porque a acção da rotina diária cansa e torna-se monótona. É sempre mais do mesmo. Enfadonho, deveras. O mundo virtual permite a libertação da fantasia e da imaginação, a criatividade e a inovação sem limites. E com as consequências dissimuladas e subtilmente remetidas para o subconsciente. A consciência assim não pesa. Pois, que dizer de toda esta panóplia de mutabilidades imprevisíveis e desconcertantes? A mobilidade global contribui para esta intrigante e inquietante nova virtual realidade. E será mesmo tudo isto que vivemos real ou uma simples e estupidificante criação virtual para nos entreter com enganadoras insignificâncias? Temos tudo, ou quase tudo, à distância de um clique, pensamos cada vez menos, porque está tudo disponível no smartphone ou numa qualquer página da net, acreditamos em quase tudo sem questionar verdadeiramente, queremos viver um bocadinho de vida sossegada e o mais descansada possível, sem grandes tormentos, linear de preferência, e sem incómodos ou surpresas, inconstâncias ou complicações. Mas, sem tudo isto, o que resta? Como se enche então o vazio cinzento? Não sei...

Flores de Fevereiro

O sol que brilha naquele figurado alto,

Esconde esperto os receios mortais,

Numa caminhada renovada e insegura,

A natureza castiga quem quer com subtis temporais.

 

Tempo de queda longa e magnífica,

Temporal de memória agora esquecida,

Floral destempero de ambiguidade,

Fevereiro conta história perene adormecida.

 

Notícias dormentes e permanentes vendavais,

Vírus, morte e estranheza demais,

Beleza linear crescente é o verde,

Flores despertas fazem esquecer coisas fatais.

 

O espaço enche,

O tempo esvazia,

A mente medita,

A razão da tal ousada e dissimulada tirania.

 

Antagónico contexto,

O mal e o bem em luta recente,

O passado florido foi olvidado,

Esforço imortal não é uma estrela cadente.

 

Filamento de vontade perdida,

Cor, alegria, vida,

Agora há dicotomia,

O ganho da beleza das flores fora de época, parece fantasia.

 

As flores de Fevereiro são assim,

Destoam do mundo em redor,

Acalmam os corações preocupados,

Tensões globais, doenças, povos frustrados.

 

Não pensar longe demais,

Não sentir perto demais,

Viver aquele doce momento serenamente,

Experimentar o sossego sem desencanto, descansar finalmente.

 

Em Fevereiro se tempera o mal,

Com o bem florido prematuramente,

As flores regressaram inesperadas,

Surpresas boas, pois sim, queremos salvar pessoas amadas.

Os Vírus do Século XXI

A máquina bem oleada que se esconde e refugia nas entrelinhas do entendimento comummente aceite e minimamente inteligível, deixa adivinhar o óbvio. As notícias veiculadas de forma brilhante, sob o auspício dos poderes ocultos globais, determinam um futuro alternativo ao sabor da corrente mais instrumentalizada. Assim, os vírus surgem como uma arma letal, de proporções indefinidas, de controlo duvidoso, mas de eficácia indiscutível. Na sua profética criação laboratorial, o experimentalismo alterna entre propensões mais ou menos letais, mas sempre com o intuito de fazer proliferar a investigação e o desenvolvimento de novas e melhoradas receitas medicamentosas milagrosas, inovadoras e alternativas. Estes vírus, espante-se, surgem normalmente de geração espontânea e miraculosamente. A sua capacidade contaminadora e contagiante é galopante, e os seus efeitos quase imediatos e irreversíveis. O seu silêncio é de ouro e mortal. Sem testemunhos. Máquinas de guerra de humanos contra os humanos, carecem de estudo mais aprofundado por todos quantos ainda esperam reverter situações de pandemia generalizada, crentes de que a natureza se terá virado inadvertida e momentaneamente contra a espécie, numa vaga esperança de que a humanidade é boa e de que ainda prefere contrariar o caos. Em termos de terrorismo alternativo não há arma mais eficaz. O terrorismo biológico é aquilo que não se consegue ainda controlar ou prevenir. Não parece pois de estranhar que tantos e cada vez mais poderosos vírus tenham surgido nas últimas décadas, especialmente com os avanços tecnológicos levados a cabo quer a nível laboratorial, quer ao nível da maquinação por um poderio infiltrado, discreto e subtil. A questão de que muitos mais irão surgir nos anos vindouros já nem se coloca, é um facto. Que consequências reais advirão daí, já é temática mais delicada. E o que se pretende realmente com a sua criação, manipulação e valências criativas afins, idem. Os vírus do século XXI ainda agora iniciaram o seu deambular astucioso. Como iremos lidar com eles é uma incógnita. Se conseguiremos lidar com eles, uma incerteza. Se morreremos deles, mais um facto. É realidade. Já hoje. E nada podemos fazer contra a sua criação. Apenas podemos aguardar serenamente que o resultado da sua criação seja alcançado com brevidade e celeridade, causando pelo caminho o menor número possível de danos mortais humanos colaterais e uma destruição mais contida, e de preferência menos impactante.

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