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A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

A Esquina do Desencontro

Histórias de Desencontros Ficcionais (ou Não) na Esquina da Vida

O Acesso ao Ensino Superior

O longo caminho académico, trilhado, no mínimo, em doze anos, reduz-se, no seu mais concreto resultado prático, a um único momento no tempo, o do acesso ao ensino superior. Na realidade, todo o adquirir do saber e do conhecimento académicos básicos se desenrola ao longo de nove anos. Os três últimos anos de estudos, ou seja, o secundário, consolidam toda a aprendizagem anterior e determinam o futuro do estudante, com base numa média definitiva e dificilmente reversível, a qual sentencia a entrada ou não na universidade. O aluno que inicia o 10.º ano, em média, tem 15 anos. É nesta altura que todos se vêem obrigados a uma escolha pragmática: que curso seguir? A verdade é que, na grande maioria dos casos, o estudante está indeciso e ainda não formou uma opinião consolidada sobre o que quer fazer, profissionalmente, no futuro. Apesar de haver, hoje em dia, um esforço louvável ao nível das instituições de ensino públicas e privadas, no sentido de providenciarem uma orientação mais acompanhada e focada no aluno, com base na avaliação realística das suas competências e do seu perfil académico, bem como na disponibilização de ferramentas e informação que permite, à partida, escolhas mais facilitadas, o facto é que há ainda um claro e evidente desnorte, por parte dos estudantes, sobre que caminho devem efectivamente seguir. Continuamos a incentivar a parametrização estanque e não há margem para desvios, para inovação, criatividade ou divergência. O ensino é castrador. Não premeia o espírito crítico e curioso. Para além disso, as métricas de acesso, traduzidas nas médias académicas, impostas para a entrada nos cursos, bem como a constante variação de metodologias e fórmulas de acesso, desencadeiam reacções desesperadas e potenciam uma desmotivação clara que não favorece em nada o incentivo ao estudo e o retorno devido. Assim, vão passando as gerações e todas, invariavelmente, experimentam as mesmas dificuldades, ânsias e dúvidas. Sabemos que os exames, os testes são sempre um momento de intenso stress emocional e que as avaliações, muitas vezes, irrealistas, conduzem a enviesamentos sobre a realidade académica, o conhecimento e o verdadeiro saber de um estudante. Assim, por mais exames e métricas de aferição que a estatística nos obrigue a fazer, nunca conseguimos definir e caracterizar verdadeiramente a nossa população estudantil e o seu real potencial. É pois, inconsequente, toda a triagem tipificada que tentamos fazer no secundário, com as médias, e os desafios e exigências extra-humanas que impomos aos estudantes, os quais, na verdade, não nos garantem que iremos ter no futuro um profissional de excelência, isto é, com as competências necessárias para realizar um bom trabalho, em sociedade. Até porque, como já foi provado, por diversas vezes, quantidade não é necessariamente qualidade. E isto é válido quer para as médias, quer para as notas das disciplinas, para os exames de aferição ou para os exames nacionais. Estamos sempre a aprender e temos já um historial educacional e académico que nos permite, sem dúvida alguma, melhorar (e não facilitar, entenda-se) as condições de acesso ao ensino superior, aprendendo precisamente com os erros cometidos no passado e promovendo a qualidade do nosso ensino e dos nossos futuros profissionais.

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